segunda-feira, 11 de abril de 2011

Não há invencíveis....

18 de Maio de 1994 vai ficar na história como o dia em que o “Dream Team” de Johan Cruyff foi goleado e humilhado em plena final da Liga dos Campeões. É verdade que não foi por uma equipa qualquer, foi “só” pelo AC Milan do italiano, na altura ainda pouco conhecido,  Fabio Capello.
O jogo teve lugar em Atenas, no Estádio Olímpico, e o Barcelona, acabado de se tornar tetracampeão em Espanha e campeão europeu dois anos antes, era apontado, por toda a gente, como o favorito à vitória. Mas do outro lado estava outro colosso europeu, tri-campeão italiano e vencedor de 2 Taças dos Campeões Europeus nos últimos 5 anos, o AC Milan.
Se todo o favoritismo já era apontado ao clube catalão, depois de se ficarem a conhecer as ausências na turma italiana, ele ainda aumentou mais. Da fabulosa defesa “rossoneri”  composta por Tassoti, Maldini, Baresi e Costacurta, só os dois primeiros puderam dar o seu contributo nesta final. Ausentes por lesão estavam o ponta-de-lança Marco Van Basten e o extremo, na altura o mais caro jogador do mundo,  Lentini (acabou por estar no banco mas com limitações, nem chegou a jogar). Para além disto, e em virtude do limite de estrangeiros, ficaram de fora Brian Laudrup, Raducioiu e J.P.Papin. Eram muitas baixas….
O Ac Milan jogou com Rossi na baliza; Tassoti na direita da defesa e o muito jovem Panucci na esquerda, com Filippo Galli e Paolo Maldini como  centrais. O meio campo foi composto pelo francês Desailly, os italianos Albertini e Donadoni e o croata Boban.  O ataque ficou entregue a Massaro e ao Homem do Jogo, o montenegrino Dejan Savicevic (um jogador fabuloso).
O Barcelona alinhou na máxima força, com a sua formação habitual: Zubizarreta era o guarda-redes, defesa com Ferrer e Sergi nas laterais e Nadal e Koeman na zona central. Guardiola, Amor e Bakero no meio campo. Na frente além do espanhol Begiristain estavam as estrelas da companhia, o búlgaro Stoichkov e o brasileiro Romário.

Mas quem estava à espera de uma vitória confortável do “Dream Team” (nome pelo qual era conhecida a equipa do Barça), bem se enganou….

Comandada por um inspirado Savicevic, com um meio campo de muita qualidade e a habitual solidez defensiva (mesmo sem 2 dos titulares), neste jogo ainda apareceria, na equipa italiana, a veia goleadora de um avançado mal amado (não devia ser fácil ocupar o lugar de Van Basten), Daniel Massaro. Ao intervalo já o italiano tinha bisado. Na segunda parte, Savicevic fez o terceiro com um chapéu fenomenal e Desailly viria a fechar a contagem a meia hora do fim do jogo.
Foi mais uma prova de que no futebol não há vencedores antecipados…… e confesso que na altura me deu especial gozo pois queria que o AC Milan vencesse!!!
Deixo aqui um vídeo para que possam assistir aos lances mais importantes deste jogo.
video

Partilhem aqui as vossas opiniões e recordações desta final em que o “Dream Team” recebeu uma valente lição…..
Saudações Desportivas

4 comentários:

  1. Foi uma enrabadela de todo o tamanho, num "dream team" que foi dobrado da forma mais sublime numa final da Champions.

    Aliás, o Dream Team de Cruyff, antigo jogador e treinador holandês que hoje em dia fala de cátedra e critica os treinadores do momento, e em especial José Mourinho, é o mesmo treinador de um "dream team" arrogante que tanto deu 5-0 ao Real Madrid no seu tempo, como também levou outros 5-0 do mesmo Real Madrid no ano seguinte, num jogo fabuloso de Zamorano que fez um hat-trick nesse jogo. E depois levou 4 secos do Milan na final da CL.

    E falando em isenção, ainda teve a lata de impingir o seu filho ao Barcelona, Jordy Cruyff, que teve um grande tacho no seu pai, mas que acabou a carreira num clube de Malta, após ter andado perdido num clube modesto do campeonato Ucraniano.

    Resumindo e concluíndo, Cruyff fala muito, mas não teve tomates de continuar a treinar. Retirou-se a tempo, como um apostador de casino, que retira as fichas todas da mesa e sai enquanto está a ganhar. Não teve tomates para continuar e enfrentar uma carreira de altos e baixos.

    Mourinho, esse, está lá. Para o bem ou para o mal. para a vitória ou para o insucesso. Que fácil seria retirar-se a seguir à sua 2ª conquista da Champions com o Inter! Tornar-se um ícone para todo o sempre!

    Mas ao contrário de Cruyff, Mourinho não é um cobardolas e segue em busca de mais, correndo os riscos da queda. Está lá, na luta, em qualquer jogo de futebol na televisão "perto de si".

    Um abraço,

    Hugo

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  2. Caro Hugo, se não me engano não nos conhecemos e por isso peço-lhe que não leve muito a peito aquilo que vou escrever.

    Primeiro devo dizer-lhe que não devia ver muito futebol no período em questão, finais dos anos 80 e inícios dos anos 90, pois se visse não seria tão impreciso nas suas afirmações. Mas deixe-me elucidá-lo. O Rui no seu post não o diz, mas a razão porque chamavam Dream Team aquele Barcelona não era pelo plantel que tinha, mas sim pelo futebol que jogava. Por isso, tenha calma quando fala do direito ou não do Cruyff criticar outros treinadores, pois ele deve ser dos poucos treinadores que jogou como treinou, para o futebol espectáculo. Caso não saiba, ele criticou sempre todos os treinadores defensivos, tanto no Barelona, como na Sel Holandesa, como no seu 2º amor o Ajax. Mais, quando tudo à sua volta jogava em 5-3-2, com resultados, ele não abdicava da sua filosofia, mesmo que isso pusesse o seu lugar em causa. Portanto, não me fale em coragem de um homem, ao contrário do que diz, que só se retirou do futebol por ter um problema cardíaco que quase o matou. O seu problema era viver demais o jogo, tanto que o proibiram de se envolver.

    Quanto a arrogância, volto a dizer-lhe que via pouco futebol, nessa altura era o Milan que era a equipa arrogante, do todo poderoso e arrogante Silvio Berlusconi, cujo dinheiro comprava quem ele queria. O Milan que dominou o futebol internacional e italiano neste período e era considerada a melhor equipa do mundo. O Milan que no ano anterior tinha chegado de peito feito e saía de rabinho entre as pernas do Olímpico de Munique às mãos de um renascido Marselha. E que no ano seguinte enchia o peito novamente e uns putos do Ajax despacharam-nos para casa. Se tem dúvidas basta ver quem é que o Milan deu-se ao luxo de nem levar e perceber que grandes nomes o Baça só tinha os três estrangeiros, o resto nem sequer eram todos convocados para a selecção espanhola da época.

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  3. Mas para não lhe deixar dúvidas deixo-lhe aqui o plantel das duas equipas

    Barcelona: GK Andoni Zubizarreta, Carles Busquets; DF Albert Ferrer, Ronald Koeman, Sergi, Miguel Ángel Nadal, Juan Carlos, Quique Estebaranz, Ion Andoni Goikoetxea; MC Josep Guardiola, Txiki Begiristain, Guillermo Amor, José Mari Bakero (captain), Eusebio Sacristán, Goran Vučević, Ronnie Ekelund, Óscar García, Iván Iglesias, Michael Laudrup; AV Hristo Stoichkov, Romário, Julio Salinas

    Milan: GR Sebastiano Rossi, Ielpo; DF Franco Baresi, Costacurta, Tassoti, Marcel Desailly, Fillipo Galli, Nava, Paolo Maldini, Massimo Oddo, Cristian Panucci, Orlando, Sadotti; MC Demetrio Albertini, Zvonimir Boban, Angelo Carbone, Cozza, Fernando De Napoli, Roberto Donadoni, Stefanio Eranio, Cristian Pallanch, Dejan Savicevic; AV Brian Laudrup, Marco Van Basten, J P Papin, Lentini, Florin Raducioiu, Marco Simone

    Como vê, não era pelo plantel que apelidavam o Barça de Dream Team, mas sim pela qualidade do seu futebol. Esse futebol tinha a mão de um homem Johan Cruyff. Mais, com o plantel que vê do Milan, nesse jogo foi o típico futebol italiano desses tempos, autocarro e depois compra-se o que há de melhor lá para a frente para resolver. Nos outros jogos com o Marselha e com o Ajax não pôde jogar assim, toma lá e vai para casa. Aliás esse jogo com o Barcelona foi o canto do cisne para o Milan, num mundo em que o futebol estava a mudar outra vez, quer tacticamente e paulatinamente na hierarquia dos campeonatos europeus. O Milan só voltaria a uma final em 2003 com a Juventus, considerada por muitos como a pior de que havia memória, e em 2007 com uma vitória contra o Liverpool.

    Para terminar só lhe quero alertar para mais uma coisa, além deste jogo da final, aposto que mais ninguém se lembra de um jogo que o Milan tenha feito nessa época. Já o Barcelona, não foram só os cinco ao Madrid. Nessa época o Romário só marcou 30 na liga, mais 16 de um dos melhores jogadores que já vi Hristo Stotchkov. O Barça ficaria em 1º na última jornada à frente do Depor de Bebeto (com quem ganhou por 3-0 em Camp Nou), que empatou com ele a falhar aquele fatídico penalti, e de um Zaragoça que venceu a Taça Uefa desse ano. Na Europa só foram 5 ao Spartak, mais 3 ao Galatasaray e ao Porto, fora os 2 com que despacharam o Mónaco de Scifo, Djorkaeff, Ikpeba e Klinsmann. E no ano seguinte haveria de despachar o Man Utd com 4, num dos jogos mais memoráveis da CL.

    Quanto às críticas ao Mou, não se enerve, há-de sempre ver o Cruyff criticar treinadores defensivos e pouco corajosos, mais ainda quando têm planteis á sua disposição para fazer muito mais. Não é pessoal, é só algo que mexe com a sua ideia do que é futebol, que obviamente não é a do resultado primeiro.

    Saudações Leoninas

    José Carlos Neto

    PS: Já me esquecia, Dejan Savicevic era um mago, dos melhores jogadores de "leste" de todos os tempos. Para recordar: era preciso o Berlusconi ordenar que ele jogasse pois as abéculas que iam passando pelo banco do Milan não gostavam dele. Hoje não deve haver um tifosi rossoneri que não se recorde com saudade deste JOGADOR, também eu tenho saudades.

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  4. É verdade Rui, dizes que torceste pelo Milan e eu também, mas se bem me recordo isso só aconteceu por causa do Dejan Savicevic. Corrije-me se estiver errado, mas para nós era o Barça e aquela dupla infernal. 600.000 contos era muito para dar pelo Romário (citando Sousa Cintra) e em vez deste homem ter vindo para Alvalade foi para Barcelona. Que quarteto tinha feito: Lema/Costinha, Nélson, Valkx, Vujacic/Peixe, Paulo Torres, Paulo Sousa, Cherbakov, Pacheco, Balakov, Romário, Figo. Bom, mas pelo menos ainda ias lá ao cheiro, hoje... Mas de facto o homem era um génio e um senhor, Dejan Savicevic. Volto a dizer, que saudades. Lembras-te daquele Estrela Vermelha?

    Abraço

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